A “grande corrida”

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O estresse pode ser considerado atualmente como um dos maiores males ou doenças que afligem a humanidade, principalmente a sociedade ocidental. As enormes demandas sociais, os conflitos interpessoais, os problemas no trânsito e as dificuldades econômicas, aliados ao papel estressante dos meios de comunicação – que ditam o que devemos comer, fazer, beber e comprar –  preparam o quadro ou cenário adequado para um comportamento psicossocial e psicoeconômico em que predomina o estresse de uma forma quase indivisível e deixa o indivíduo tenso, ansioso, competitivo, desumanizado e robotizado.1

Os efeitos do estresse são tão abrangentes que não raro podem provocar distúrbios musculares, dor de cabeça, dor de músculos faciais e mastigadores e outros.1 O ritmo mastigatório rápido, a movimentação predominantemente vertical e a escassez mastigatória que caracterizaram o perfil de mastigação de obesos mórbidos, comparativamente a indivíduos eutróficos, em estudo realizado por Gonçalves e Chehter (2012)1 são exemplos claros dessas relações.

Um grande número de indivíduos sofre principalmente de tipos de estresse associados com as demandas psicossociais e com a competição.1

A frustração é proporcional à competição, pois tanto uma quanto outra estão associadas diretamente ao estresse.  Uma grande parte da população das grandes cidades tem-se transformado em “indivíduos pululantes” que se caracterizam pela “GRANDE CORRIDA” na qual estão envolvidos. Acredita-se que essa corrida contra o tempo não permita que eles possam viver no contexto da realidade.1

Os adultos dos dias de hoje não tem tempo nem percepção suficiente para verificar quais as necessidades e deficiências básicas de suas crianças. A competição, o consumismo e a necessidade de ganhar mais para comprar mais os tornam cegos a tal ponto que eles perdem a capacidade de dar carinho, compreensão e alguns minutos de conversa, contato ameno e de discussão sobre as inquietações, problemas atuais, aspirações futuras e objetivos de cada um.

Para muitos indivíduos, a vida se transformou numa corrida sem fim, numa questão de sobrevivência. “Trabalhamos duro para ganhar e ganhamos para comprar, somente para mais tarde perceber que o que compramos se tornou obsoleto”. Veja o vídeo “a história das coisas” para entender um pouco mais afundo sobre isso.

Isso indica que, em muitos casos, o consumo desmedido e obsessivo pode se tornar uma fonte de frustração, tal o número de produtos que podem ser adquiridos a cada momento. Para poder cumprir com as demandas sociais e exigências do cotidiano, é evidente que o homem contemporâneo não deve aprender a pensar muito, “apenas correr”.  Há um excesso de irracionabilidade nesse comportamento e a publicidade ainda colabora para isso.

Imagem 231 (1)Somos obrigados ou forcados a comprar e consumir constantemente, mas não temos tempo suficiente nem os períodos de relaxamento indispensável para desfrutar aquilo que adquirimos. Somos obrigados a competir e correr todos os dias para comprar os bens materiais “de que precisamos”. Nunca temos tempo suficiente para pensar se realmente precisamos daquilo que adquirimos.1  Todos esses fatores tornam nossa vida extremamente estressante, competitiva e anti-emocional. Não há encontros, pois somos uns desconhecidos para nós e para os outros.

Não é de se surpreender que haja uma relação direta entre o vazio nas grandes cidades, a solidão, a falta do verdadeiro eu e o estresse. Temos pouco tempo para discernir sobre o significado de nossa existência, quanto prazer temos experimentado nesses últimos anos. Para muitos, apenas, ter uma boa saúde é suficiente para ser feliz. Nascemos com o instinto do prazer e procuramos avidamente nos primeiros anos de vida, mas aprendemos a negá-lo porque nos adaptamos “demais” as exigências de uma sociedade competitiva.1

No entanto, devemos ter sempre em mente que tanto nosso corpo como nossa mente precisam também de tempo para pensar, relaxar e absorver parte da vida na forma de estímulos visuais, auditivos, gustativos, mecanorreceptivos (pele), etc. Devemos ser capazes e ter a liberdade suficiente para absorver o som, sentir o vento, observar a liberdade dos animais inferiores e deixar fluir livremente nossos pensamentos, sem aceitar todas as mudanças e exigências externas coercitivas que ditam o que queremos ou necessitamos.

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Referências bibliográficas:

1. MOLINA, O.F. Estresse no cotidiano. Ed. Pancast, São Paulo, 1996. 334p. 

2. GONÇALVES, R.F.M.; CHEHTER, E.Z. Perfil Mastigatório de obesos mórbidos submetidos à gastroplastia. Revista CEFAC, v.14, n.3, p.489-497, mai-jun, 2012.

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