A história do suco em pó – parte 1

Quando eu li a matéria “Tang é multada em 1 milhão por propaganda enganosa”, logo lembrei desse rótulo dessa marca que já usei – e uso – em aulas de várias disciplinas. Apresento esse rótulo para os alunos e conto uma história, fazendo-os refletir acerca do que estamos ingerindo ao comermos – ou bebermos – certos alimentos.

tang

A história: Um dia eu resolvi fazer um trabalho de pátina em um móvel de madeira que tinha em casa. Comprei uma revista que ensina os passos da técnica e então providenciei os “materiais” necessários. Dentre esses materiais, tive que comprar um vidrinho de dióxido de titânio, que seria utilizado em uma das etapas da aplicação da técnica. Isso foi mais ou menos nos anos 2000; eu nem tinha entrado na faculdade…

Durante minha graduação em nutrição, na ânsia de aplicar em casa os conhecimentos aprendidos na faculdade, peguei um pacotinho desse suco em pó e fui ler para o meu pai, para mostrar que aquele produto tinha muito açúcar e aditivos alimentares e que, por isso, não era saudável.

Eu já imaginava que leria na lista de ingredientes o açúcar em primeiro lugar e depois uma lista de corantes, conservantes, antiumectantes, mas o que eu não esperava era encontrar nessa lista o tal do dióxido de titânio. Sim, o corante inorgânico dióxido de titânio, um dos “materiais” da lista da minha pátina, agora era a um “ingrediente” do suco em pó que meu pai tomava (e, confesso, que eu também já tinha tomado muito na infância).

Os alunos ficam boquiabertos com essa história, alguns ficam indignados. Então eu pergunto: como pode um corante usado na fabricação de tinta ser usado na fabricação de alimentos? E respondo: isso pode porque esse corante pode ser produzido segundo as Boas Práticas de Fabricação de Alimentos e atender os requisitos de identidade e qualidade para a sua categoria, adquirindo assim uma característica que é denominada grau alimentício. E isso pode também, porque esse corante tem seu uso aprovado em alimentos pela ANVISA.

Ok, mas daí vem as questões: quem garante o grau alimentício desse corante? Quem garante que a quantidade usada pela indústria de alimentos está dentro do limite de uso permitido pela ANVISA? Quem garante que essa fiscalização é feita por essa mesma agência? Quem garante que esse aditivo alimentar não causa problemas  à saúde? (Aliás, a segurança do dióxido de titânio está sendo questionada).

Enquanto busco respostas para essas perguntas, espero que o tempo que já deixamos de ingerir esse alimento ultraprocessado tenha desfeito a pátina que o tal corante deve ter feito em nosso fígado.

Na parte 2 falarei sobre aditivos alimentares e as classificações dos corantes. Aguarde.

Leia mais: http://foodsafetybrazil.org/o-que-e-grau-alimenticio/#ixzz50ATQmtcK

Leia mais: http://foodsafetybrazil.org/o-caso-do-dioxido-de-titanio/

Você pode gostar também ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Get Widget