A viagem das pimentas

Das minhas várias mudanças de cidades e de casas levo as lembranças e da vez que me mudei para Guarapuava-PR, nunca esqueço. Era um domingo de manhã e meus móveis e tudo o mais chegaram em um caminhão e eu saí do hotel caminhando feliz da vida para passar um dia inteiro retirando coisas e mais coisas de caixas e mais caixas.

Foi quando minha vizinha de porta, sem ao menos me conhecer, me convidou para almoçar e prontamente aceitei o convite. Desde então, falávamos muito em comidas, temperos, pratos e receitas. Dávamos uma para a outra coisinhas gostosas que fazíamos aos finais de semana. Um dia ganhei um presente inusitado, um caixinha cheia de pimentas dedo-de-moça. Obviamente não consegui usar todas elas e algumas acabaram estragando e indo pro lixo. Pensando nessa situação (uma bandeja de pimentas é muito quando somente uma ou até meia pimenta já é o suficiente), separei umas sementes e as sequei ao sol para plantá-las posteriormente.

Algum tempo depois, encaixotando tudo novamente para me mudar para Dourados-MS, me deparei com as sementinhas guardadas em um papel toalha. As coloquei dentro de um caderno de receitas e as trouxe na mudança.

Estabelecida na nova casa (ou melhor, apartamento, o que pra mim foi desesperador porque nunca havia morado em apartamento), resolvi fazer uma plantação de temperos em vasos e cuidar deles na lavanderia onde batia sol uma boa parte do dia. Foi uma situação interessante, terra espalhada no chão do apartamento, os vasinhos sendo arrumados e as sementes sendo plantados uma a uma.

2015-07-04 15.17.05

Devido a “viagem das pimentas”, achei que elas não vingariam, mas para minha surpresa elas brotaram lindas e cheias de vida e então as replantei.

2015-06-24 07.28.36 (1)

2015-07-04 18.37.05

 

Quando então, depois de um ano, me mudei para uma casa (agora casa mesmo, térrea e com quintal), trouxe a mudinha de pimenta no vaso. Passados alguns meses, construi minha horta e lá se foi a mudinha para a terra, onde eu sempre achei que ela deveria estar. Ela sentiu um pouco, claro, mas sobreviveu firme e forte.

DSC_0258

Dali pra frente foi só cuidar, regar, esperar. O encontro diário com a mudinha não me fazia perceber que ela estava crescendo, mas passados alguns meses… como ela estava linda. Isso foi em abril de 2016 e em dezembro do mesmo ano, depois de uma linda florada, eis que recebo novamente o presente da minha vizinha… agora eram os frutos de seus frutos.

20170105_171708 (1)

Mostrando a foto do pezinho de pimenta para o meu pai, ele me disse que até parecia uma árvore de Natal de tantas cores verdes e vermelhos vibrantes. Pensei então, foi um presente de Deus.

Hoje tenho a oportunidade de pegar uma pimenta por dia no pé e utilizá-la para fazer algumas preparações. Óbvio que também colhi um monte delas as quais serão congeladas para dessa vez não irem pro lixo. Eu vou guardar algumas sementes… pois pode ser que eu me mude novamente de casa ou de cidade e então essa história continue.

pimentas

DSC_1038

Um grande abraço.

Você pode gostar também ...

2 Responses

  1. Katia disse:

    Adorei a sua história é linda, fez lembrar da minha história também tenho uma plantinha que me acompanha desde qdo eu morava em Uberlândia a qual foi uma vizinha que me deu de presente , e essa plantinha já viajou muito,já foi comigo até p o acre, só que agora em dourados parece que ela não gostou muito do clima, mas estou fazendo de tudo p que ela não morra.

  2. Thalita de Jesus disse:

    Amei a história Bruna, parabéns.
    É sempre um prazer saber um pouco de suas história vindo da cozinha e da terra. Grande Abraço, sucesso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Get Widget