Coma à francesa

jantar à francesa

Há duas coisas em que os americanos e os franceses são bem diferentes. Um ponto é a comida e o ato de comer: ambos gostam, mas os franceses gastam mais tempo na refeição, muito mais tempo do que os americanos… Gastam horas! Os americanos espalham a refeição durante o dia todo e, depois, não lembram o que comeram; além do que, eles comem sozinhos.1 É como se houvesse um esvaziamento da refeição de seus elementos de ritual de comunicação e intercâmbio humano; é como se fizesse da refeição um comportamento automático transformando-a em mera operação de reabastecimento.

Quando o assunto é alimentação, o que acontece, dentre milhares de outras coisas, é que os americanos fazem diversas coisas ao mesmo tempo que comem. Fazem 1,81 coisas enquanto comem (quase 2, se você preferir), enquanto os franceses fazem 1,2. Em todos os momentos os americanos fazem outras coisas enquanto comem. Os franceses só comem.  Quando se trata de comer e de falar os americanos têm como atividade principal a fala, à qual eles devotam mais atenção. Os franceses estão comendo. Já os americanos comem e dirigem, comem e limpam a casa, comem e conversam, comem e cuidam das crianças, comem e se maquiam, comem e veem televisão, etc. Os franceses não. Bom, às vezes também assistem televisão, mas não muito,1 e eles comem tudo “de pouquinho”.2

Com isso, se prestarmos atenção à obesidade, nas amostras americanas há cinco vezes mais casos de obesidade. São 35% versus 7,5%.1

Temos aí um grande reflexo do padrão ocidentalizado da nossa alimentação. E o que aprendemos com isso?

Que não somente quanto, mas como comemos reflete a nossa saúde. Por isso é que eu tenho dito: Coma “à francesa”, ou melhor, coma como os franceses, ou os italianos, ou os japoneses, ou ainda os gregos, árabes, indianos. Quando a alimentação segue uma tradição cultural, tende a ser naturalmente mais saudável. Isso porque, entre outros fatores, dietas tradicionais vêm temperadas com hábitos e rituais ancestrais de consumo, que levam em conta comer com fruição, sentar ao redor da mesa e compartilhar com familiares e amigos. Já a alimentação ocidental perde em todos esses quesitos.3

Lendo esse texto fica mais fácil entender o famoso paradoxo francês: o país que apresenta um dos maiores consumos de queijos gordurosos do mundo e que apresenta, ao mesmo tempo, uma das populações mais magras também! Fica a dica!

 

Fontes consultadas:

1. FISCHLER, C.A. Comer- a alimentação de franceses, outros europeus e americanos. 1.ed. Editora Senac; 2010.

2. ROZIN, P.  et al. The ecology of eating: smaller portion sizes in France Than in the United States help explain the French paradox. Psychological Science, v. 14, n. 5, p. 450-454, Sep. 2003.

3. http://vidasimples.abril.com.br/temas/comida-verdade-415765.shtml

Foto: http://beautytraces.blogspot.com.br/2013/06/comer-beber-e-celebrar-sempre-com-sabor.html

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