Os prazeres da mesa – alguns valores perdidos

É impossível precisar quando o alimento, necessidade humana sempre presente, se transformou em prazer da mesa. O ritual da refeição começou a existir depois que a espécie humana deixou de se alimentar de raízes e de frutas. A preparação e a partilha das carnes exigiam a reunião do grupo ou da família. A refeição é, assim, “a ritualização da repartição de alimentos”. Por isso mesmo, tornou-se tão rica em símbolos.

O prazer da mesa é a sensação que advém de várias circunstâncias, fatos, lugares, coisas e pessoas que acompanham a refeição. É prazer peculiar à espécie humana. Pressupõe cuidados com o preparo da refeição, com a arrumação do local onde será servida e com o número e o tipo de convivas.

Sabemos que uma refeição, por mais perfeita que seja do ponto de vista gastronômico, será prejudicada, se os convivas não forem simpáticos. Em contrapartida, uma refeição simples trará grande satisfação, se a companhia for agradável.

Momento privilegiado de intercâmbio e de comunicação, a refeição em comum pode marcar uma nova direção nas relações humanas. Uma refeição a dois frequentemente faz parte da galanteia e da sedução.

No entanto, refeições são também oportunidades para a exteriorização de conflitos latentes. Muitas delas, concebidas para comemorar datas festivas ou com o mero objetivo de reunir famílias, se convertem em ocasião para desavença e colisão. Não obstante, a refeição copiosa e bem regada permanece símbolo de hospitalidade e amizade na maioria das culturas.

A comensalidade, tanto do ponto de vista religioso como profano, foi sempre vista como maneira importante de promover a solidariedade e de reforçar laços entre membros de um grupo. Entre os que comem e bebem juntos há, em geral, vínculos de amizade, obrigações mútuas, pois a fraternidade e a afinidade são inerentes.

A refeição em família é um ritual propício à transmissão de valores. Por meio da aprendizagem de maneiras, sobretudo das de mesa, desenham-se para a criança os contornos do mundo ao qual ela pertence e as atitudes aprovadas pelo seu grupo social são assimiladas como norma.

Infelizmente hoje a mesa compete e perde para, por exemplo, a embalagem de sopa própria para ir ao microondas e projetada para caber no porta-copo de um automóvel.

E quantas conversas se perdem, e quanta educação e transmissão de valores também?

Entre em contato com a Nutricionista Bruna Menegassi.

Referências bibliográficas:

FRANCO, A. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. São Paulo: Editora SENAC, 2001.

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