Comer ou não comer?

O repertório culinário passa a fazer parte de celebrações e ocasiões tão especiais que ganham um significado e um valor únicos. Inclusive de privação, em alguns casos. “Abstinência e proibição, constante ou temporária, de certos alimentos são, geralmente, considerados meios de atingir estado de graça e santidade”, afirma Ariovaldo França, autor do livro De Caçador a Gourmet – Uma História da Gastronomia (Editora Senac). Para os israelitas, por exemplo, o uso de fermento se transformou em objeto de restrições religiosas, e a fermentação, símbolo de corrupção e deteriorização. Na doutrina hindu, o consumo de carne de vaca é proibido, baseado no conceito de reencarnação. Em tempos que precedem a Páscoa, seguidores mais fervorosos da cultura católica cristã não consomem carne vermelha como forma de se abster de comer algo nobre em homenagem ao sacrifício de Jesus, que morreu para salvar seus seguidores. Há também quem prefira abster-se de outros prazeres culinários (como doces, chocolate, álcool etc.) para encarar os 40 dias da Quaresma.

Essas regras comprovam que o ser humano é cerimonioso no comer e tem uma atitude complexa em relação ao alimento. “Não se come apenas para saciar a fome. O alimento se reveste de valor simbólico e, eventualmente, se transforma em objeto ritual”, diz França.

A verdade é que a vida depende da comida: “… nada define a nossa natureza como criaturas vivas mais dramaticamente do que a nossa ingestão.” 1 E, independente de nossas opções alimentares, partilhamos duas necessidades básicas: “De tudo o que as pessoas têm em comum, a mais comum é que elas precisam comer e beber”.2

A diferença está nas nossas escolhas que se baseiam em nossas tradições, religiões, crenças, características econômicas e ideológicas da sociedade onde vivemos, entre outros aspectos, e que se tornam identidades singulares ou coletivas.

A multiplicidade na seleção e combinação de alimentos torna a comida uma manifestação complexa das sociedades e por isso a melhor forma de conviver com tal complexidade é respeitar o “comer” ou “não comer” de cada um.

Lembro-me da famosa frase: Comer ou não comer? Eis a questão!!!

Entre em contato com a Nutricionista Bruna Menegassi.

 

Referências bibliográficas:

1. MINTZ, S.W. Tasting food, tasting freedom: Excursions into eating, culture and the past. Boston: Beacon Press. 1996.

2. SIMMEL, G. The sociology of the Meal (M. Symons, Trans). Food and Foodways, v.5, n.4, p.345-350. 1994.

 

 

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