Da fábrica para a cozinha: mais perto do natural

A maneira como comemos representa nosso compromisso mais profundo com o mundo natural. Diariamente, ao comermos, fazemos a natureza virar cultura, transformando o corpo do mundo nos nossos corpos e mentes.

Comer nos põe em contato com tudo aquilo que compartilhamos com outros animais, e com tudo o que nos mantém à parte. É algo que nos define.

Em duas ou três décadas, no entanto, uma parte crescente do trabalho culinário, tanto em casa como no restaurante, deslocou-se da cozinha para a fábrica, modificando a nossa maneira de comer e deixando claro como a alimentação industrial obscureceu quase completamente todas as nossas relações e conexões com a natureza . Ir da galinha (Gallus gallus) até o “Chicken Nugget” significa deixar este mundo numa viagem de esquecimento que dificilmente poderia ter um preço mais alto.

Quanto maior o deslocamento para a fábrica, mais longe ficamos do natural e do saudável, já que quantitativamente são misturados inúmeros compostos sintéticos com apenas algumas gotas de aroma natural para se produzirem os alimentos processados.

Na verdade quando comemos tais alimentos, não sabemos nem ao certo o que estamos comendo, pois desconhecemos grande parte da “natureza” de seus ingredientes. “Se somos o que comemos e ao mesmo tempo não sabemos o que estamos comendo, não sabemos nem ao menos quem somos, e caímos em uma crise de identidade, afirma Claude Fischler, sociólogo e antropólogo francês, grande estudioso do homem e sua alimentação.

Ainda que muito tenha sido feito para obscurecer esse fato bastante simples, o que e como comemos determina, em grande parte, o que fazemos do nosso mundo – e o que vai acontecer com ele. Ter de manter a consciência de tudo o que está em jogo pode parecer carregar um fardo, mas na prática poucas coisas na vida podem nos proporcionar tanta satisfação. Em comparação, os prazeres de se comer segundo os ditames da indústria, o que vale dizer comer na ignorância, são efêmeros. Muita gente hoje parece totalmente satisfeita comendo na extremidade da cadeia alimentar industrial sem parar para pensar no assunto; provavelmente esse texto não foi feito para essas pessoas.

Este é, em última análise, um texto sobre o verdadeiro prazer de comer, sobre a necessidade de ficarmos mais perto do natural, de nos conectarmos com o que comemos e, ao contrário do que tem sido feito, deslocarmos o alimento da fábrica para a cozinha.

Entre em contato com a Nutricionista Bruna Menegassi.

 

Referências bibliográficas:

Pollan, M. O dilema do onívoro.

Você pode gostar também ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Get Widget