Dize-me como comes…

Partindo de São Paulo para Dourados pela companhia aérea Azul, após alguns minutos da decolagem, a comissária de aborda anuncia o “cardápio” do serviço de bordo:

- Serviremos batata chips, cookies de laranja e balas de gelatina acompanhadas de Coca-Cola nas versões tradicional e zero e suco de maracujá Maguary.

Como fobia alimentar não faz meu tipo e porque eu realmente sentia fome, aceitei um pacote das tais batatinhas. Então eu mastigava delicadamente uma a uma (mesmo as mais quebradinhas) consciente de que aquele alimento se tornaria minhas próprias substâncias. No momento em que reflito sobre isso, viro o pacote para ler a temida lista de ingredientes e, para minha surpresa, aquela batatinha “ultraprocessada” só continha três ingredientes: batata, gordura vegetal e sal.

Voltando para as batatinhas, como eu estava dizendo, comia uma a uma vagarosamente, percebendo o “ultrassabor” de sal presente em alguns pedaços mais que em outros. Enfim, desfrutava daquele alimento bem como da paisagem de verdes contrastantes que via lá embaixo.

Eu devia estar na décima batatinha do pacote quando desvio o olhar e vejo que o passageiro ao meu lado já estava amassando o pacote. Passam várias coisas pela minha cabeça de nutricionista e insisto para que o meu cérebro não caia na tentação de associar o IMC do moço à sua maneira rápida e sem atenção de comer ou vice-versa, mas o seu movimento para usar o celular enquanto abria o pacote das balas de gelatina e enquanto lambia os dedos de sal, me impedem de abstrair a situação.

Fiquei pensando nisso…e mais ainda porque nesse momento da minha vida, o ato de comer e a comensalidade (temáticas presentes na segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, as quais venho estudando em minha tese de doutorado) não saem da minha cabeça.

Fiquei pensando no meu papel como profissional…como fazer chegar às pessoas que o “como” (a maneira, o modo, a forma) é tão importante quanto o “que” e o “quanto” comemos; e é isso que o Guia também quer mostrar.

Chegando em casa, sentada à mesa e na companhia de meu noivo, desfrutei de um delicioso prato de arroz, feijão, franguinho e almeirão da minha horta, que me refizeram daquela espúria “refeição” que tive dentro do avião.

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