Mais proteína ou carboidrato?

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Essa é a minha opinião sobre o artigo que me foi enviado na semana passada pela Aline Gonçalves Prado e que aborda a discussão sobre os desafios de se pensar em proteínas versus carboidratos.

Assim como qualquer outra tema, hoje em dia, a discussão sobre proteínas e carboidratos que lemos no artigo nos é apresentada de forma muito maniqueísta (bem ou mal). A busca pela magreza à custa de um determinado tipo de dieta que privilegia alguns alimentos em detrimento de outros, me traz sempre a ideia de que se está burlando uma das leis da alimentação: a da harmonia.  Uma pessoa que come mais proteína que o recomendado e fica magra não me convence de sua saudabilidade da mesma forma que não me convenceria uma pessoa magra que vive à base de carboidratos. Em ambos os casos, haveria ausência de um ou outro nutriente, na sua devida proporção, extremamente importante ao organismo.

Existe um consenso bastante antigo de que os carboidratos devem compor a base da nossa alimentação e que as proteínas devem representar somente um total de 10-15% das calorias ingeridas.  Os intervalos de distribuição aceitáveis dos macronutrientes (Acceptable Macronutrient Distribution Range – AMDR) – carboidratos, gorduras e proteínas – para os indivíduos, inicialmente propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, mais recentemente no Brasil (1990), os propostos pela Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) foram estabelecidos em função de estudos de intervenção e com vistas à prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis.1 Então, quando se fala, no resumo, que as dietas que continham 5-15% de proteínas permitiram maior sobrevida, se está concluindo apenas o que já é, inclusive, “recomendação de proteína”.

Além disso, testar dietas em ratos -e também em humanos- tendo-se em vista apenas “o que se come” é ignorar um dos aspectos mais importantes relacionados à alimentação e que a pesquisa quantitativa não dá conta de considerar: “o como se come”. Nesse sentido, até os estudos da coorte NHANES (como citada) não dariam conta de explicar essa questão.

A verdade é que o buraco é muito mais embaixo do que imaginamos. Essas discussões, de forma simplista, às vezes nos cegam para questões, que de tão gigantes, não são vistas. Certas manipulações políticas, publicitárias, entre outras, são capazes de sumir com o pão das padarias e reaparecer com a carne nos supermercados, de forma tão rápida e sutil que nos convencemos facilmente da necessidade ou não desses alimentos em nossa dieta, sem ao menos entender o por que dessas mudanças.

O fato é que enquanto nos preocuparmos com as quantidades do que comer, assim como fazem os americanos (paradoxalmente um dos povos mais obesos do mundo), não teremos chance de olhar por outro prisma, um tanto quanto anti-científico e exótico, mas que pode prolongar muito mais a vida e proteger o coração: o prazer de comer.

 

Referências bibliográficas:

  1. CUPPARI, L. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar. 2 ed. Ed. Manole, 2005.

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