O exercício da mastigação

Muito temos ouvido a respeito da importância dos exercícios físicos para a saúde e também para o emagrecimento. Como nutricionista, tenho dito em minhas palestras: quando nos propomos à prática de exercícios físicos, temos a chance de alcançarmos nossos objetivos de duas ou três vezes por semana. No entanto, com o exercício da mastigação, aumentamos essas chances para três a cinco vezes por dia! Que maravilha!

Na boca, ou melhor, na fase oral da deglutição, é que ocorre a mastigação, processo de extrema importância para a saciedade e consequentemente para o controle do peso corporal. Pode parecer mentira, mas aproximadamente, trinta músculos faciais e seis nervos cranianos estão envolvidos na deglutição.1

Como seres onívoros, possuímos os dentes e as mandíbulas onicompetentes, igualmente adequados tanto para dilacerar carnes como para moer grãos.2

Essa também é a fase mais prazerosa da alimentação. Distintos sabores, bem como algumas características de textura dos alimentos (firmeza, elasticidade, fraturabilidade, mastigabilidade, adesividade, coesão e viscosidade), nos permitem entrar em contato com o que comemos. Esse processo deve ser lento permitindo tempo para que as informações de saciedade, emitidas pelo cérebro, sejam processadas e permitam a cessação da ingestão a tempo, caso contrário, uma grande quantidade de alimentos já terá sido ingerida sem percebermos esse importante sinal do organismo.

Ao optarmos por determinados tipos de dietas, como as líquidas, por exemplo, não estimulamos essas sensações primordiais da mastigação e a monotonia alimentar pode levar a sentimentos de ansiedade, culpa e depressão.

Hoje, infelizmente, com a nossa maior exposição aos alimentos ultraprocessados, temos um retrocesso ao estímulo da mastigação, já que esses produtos, em sua grande maioria, são elaborados com ingredientes pré-digeridos que “derretem na boca”.

No entanto, o exercício da mastigação é fundamental e engloba vários outros aspectos, como os psicológicos, por exemplo, que vão muito além dos nutricionais. A forma como mastigamos reflete a forma como lidamos com o mundo e com as situações que nos acontecem diariamente. É como diz Michael Pollan2: “ Não somos apenas o que comemos, mas também como comemos”.

A correria do dia-a-dia nos acelera e muitas vezes não temos tempo de ir para a academia… Agora não tem desculpa: o exercício mais importante é o da mastigação.

Entre em contato com a Nutricionista Bruna Menegassi.

Referências bibliográficas:

1- Souza, B.B.A. et al. Nutrição e disfagia. Guia para profissionais. Nutroclínica.

2 – Pollan, M. O dilema do onívoro.  Uma história natural de 4 refeições. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. 479p.

 

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2 Responses

  1. Perfeito! O ato de mastigar não só nos leva ao melhor sabor e aproveitamento dos alimentos, quanto nos pode levar a uma fantástica viagem ao nosso ‘COMO’ existimos. Mastigar bem requer estarmos atentos ao ‘ATO’ de reconhecermo-nos na forma com que o fazemos.
    Quem mastiga bem, elabora melhor seus conteúdos psíquicos, pois ao mastigar corretamente dá ao seu organismo a possibilidade de ‘autorregular-se’ corretamente, ao seu tempo, sem ‘engolir inteiro’, elaborando, digerindo, saboreando o seu ‘estar ali’, no ‘aqui-agora’ do seu existir.
    Parabéns!

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