O que devemos comer ?

Esse texto é uma resposta longa e um tanto complexa para essa pergunta. Ele também tenta esclarecer como pôde uma questão tão simples ter-se tornado tão complicada. Nossa cultura parece ter chegado a um ponto em que qualquer bom senso nacional a respeito de alimentação foi substituído pela confusão e pela ansiedade. De algum modo, essa atividade, das mais elementares – decidir o que comer – veio a exigir, numa medida impressionante, a ajuda de especialistas.

Quando podemos comer quase qualquer coisa que a natureza tenha para oferecer, decidir o que se deve comer irá, necessariamente, provocar ansiedade. A condição do onívoro oferece os prazeres da variedade, mas o excesso de opções implica em um grande estresse e conduz a uma visão maniqueísta da comida, uma divisão da natureza entre coisas boas para comer e coisas ruins.

Em um Brasil “open cult” que caminha, infelizmente, para a americanização de seus costumes, a falta de uma cultura alimentar estável nos deixa particularmente vulneráveis as adulações do cientista ou do marketeiro especializados em comida, para quem o dilema do onívoro é uma oportunidade. Isso porque interessa muito à indústria de alimentos que nossas ansiedades a respeito, sejam exacerbadas; assim ela pode aliviá-las com novos produtos.

E assim chegamos ao ponto onde estamos, encarando no supermercado ou na mesa do jantar os dilemas impostos pela condição de onívoros. A maçã orgânica ou a convencional?  Se orgânica, a nacional ou importada? As gorduras trans, a manteiga ou a “não-manteiga”? Devo ser um carnívoro, ou um vegetariano? E se for vegetariano, um lacto vegetariano apenas ou um vegetariano radical, um vegan, que não come derivados como leite ou queijo?

Na tentativa de encontrarmos respostas para tantas perguntas, pegamos um produto no supermercado e examinamos cuidadosamente o rótulo (ou pelo menos é o que deveríamos fazer), intrigados com o significado de expressões como “saudável para o coração”, “sem gorduras trans”, “sabor natural” que, no entanto, mais confundem que esclarecem.

A saída para esse labirinto está em nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas. Optar por isto ou aquilo faz parte da nossa rotina. Saber conviver com essas decisões pode ser libertador e somente a maturidade nos permite esse exercício. Não se trata de escolher corretamente, mas sim conscientemente. Isso te dá liberdade de, inclusive, escolher por certas coisas erradas, desde que com responsabilidade.

Dessa forma, um dos meus papéis como nutricionista é o de informar o que a ciência nos diz que é bom ou não para a saúde, baseado em evidências, e o de propor formas para clarear questões obscurecidas, porém simples como essa: “o que devemos comer?”. Isso exposto, a resposta agora é: a escolha é tua, pratique a escolha consciente.

Dicas:

1. Quando for a um restaurante, decida o que comer antes de entrar;

2. Faça seu pedido em primeiro lugar para não ser influenciado por outras pessoas;

3. Pergunte ao garçom como são feitos os alimentos e o tamanho da porção;

4. Controle a quantidade que está ingerindo;

5. Escolha decididamente. O que mais impressionará as pessoas não é o que você come, mas sim a forma como se comporta. Lembre-se: você não precisa justificar seu comportamento alimentar a não ser para você mesmo.

Esse tema foi abordado na palestra: Deixe a ansiedade no chinelo e pise fundo contra a obesidade. Veja em eventos onde houve sorteio de pares desse lindo brinde personalizado para os participantes.

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Entre em contato com a Nutricionista Bruna Menegassi.

Referências bibliográficas:

POLLAN, M. O dilema do onívoro.

MILLER, P & RANKIM, H. Se sou tão inteligente porque como tanto?

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