Uma gota sobre adoçantes

Suco de laranja com mam?ado?o com ado?te artificial. Rio Sucos. SCLS 210.

A difusão da ciência nos meios de comunicação exerce um papel importante no cenário das mudanças alimentares. A aparição de um alimento ou produto nas mídias deveria interessar não só nutricionistas e profissionais da saúde, mas de certa forma, donos de supermercado também. Isso porque, se a crítica for muito bem feita (mesmo que não muito fundamentada), o produto desaparecerá da mesa dos consumidores; ao passo que se for uma exaltação acertada, ele desaparecerá das prateleiras dos supermercados, conforme a lei da oferta e da procura.

Escrevo isso porque não imagino o que possa acontecer com a seção de adoçantes dietéticos dos supermercados, após a veiculação pelas mídias de um estudo sobre alguns princípios ativos (edulcorantes) desses produtos. Ao exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, quando da publicação da Dieta Atkins, uma carbofobia generalizada que fez com que o pão desaparecesse da mesa de jantar dos americanos, temo um surto coletivo de “edulcorantefobia” (se assim posso dizer).

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Longe de ser a favor do uso de adoçantes dietéticos, o que temo na verdade, é que as pessoas optem pelo uso indiscriminado dos açúcares como uma forma de manifestação de revolta acerca de suas dúvidas sobre os alimentos.

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O estudo sobre adoçantes dietéticos (aspartame, sacarina e sucralose) publicado em uma das revistas de maior impacto internacional (Nature) foi realizado em camundongos e em seres humanos e demonstrou que o consumo diário desses produtos leva ao desenvolvimento de intolerância à glicose.

É reconhecido o papel do açúcar nesse mecanismo, podendo levar, inclusive, ao diabetes tipo II. De uma forma muito ampla, seria muito triste pensar que, que as pessoas com sobrepeso (consumidores assíduos de adoçantes dietéticos) ao tentarem “afastar” as chances de uma intolerância à glicose, estariam aproximando-as de suas vidas…

Apesar das controvérsias acerca dos adoçantes dietéticos, principalmente por eles serem produzidos sinteticamente, acredito que ainda não se pode afirmar que todos são bons ou todos são ruins. Há, por exemplo, que se separar os esteviosídeos da lista dos vilões por serem extraídos de plantas e considerados ‘naturais’ e não artificiais, ou por não terem sido  estudados por pesquisadores israelitas*?

Acredito que esse seja só mais um momento no qual a ciência da Nutrição esteja sendo encurralada em visões maquineístas (bem ou mal), assim como foi para o ovo, para a manteiga e para tantos outros alimentos. Na verdade, pensar dessa forma, em geral, nos leva a conclusões precipitadas e muitas vezes equivocadas das coisas.

Sempre digo que diante de uma pergunta, a conduta mais acertada é uma dose de censo (bom e crítico), uma de moderação e ao menos, umas ‘gotas’ de literatura científica para não nos deixarmos levar pelos ‘pratos de sopa ‘ que a mídia nos oferece.

Se você gostou ou tem alguma dúvida, envie-me  uma mensagem.

Bruna Menegassi

 

Referências bibliográficas:

Araújo, W.M.C.; Montebello, N.D.P.; Botelho, R.B.A.; Borgo, L.A. Alquimia dos alimentos. 2º Edição. Série alimentos e bebidas, vol. 2, 2011.

*O estudo foi realizado em centros de pesquisa em Israel.

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1 Response

  1. Obrigado pelo seu site com tanta informação de qualidade. Vou compartilhar! abraço

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